quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Algo na Chácara do Bosque

A moça vivia em uma chácara que estava à beira de uma rodovia. Estudava de noite em uma outra cidade, e o ônibus a deixava na entrada da estância. O pequeno caminho a ser perseguido se tornava longo da mente da pobre moça. Um caminho de relativa escuridão, e um silêncio profundo, que incomodava. Naquele dia, parece que nem a coruja cantava. As cigarras, também pareciam ter sumido de seu leito. O caminho se tornara ainda mais sombrio. O ônibus a deixou como todos os dias. Mas algo seria diferente do que o simples chegar em sua residência. Enquanto o barulho do motor do ônibus se perdia na estrada, a moça iniciara sua caminhada tenebrosa. Nem os cachorros uivavam ou latiam. Já conheciam quem chegava. Com o silêncio mortal que pairava sobre a região, entornada por grande matagais e arvores grandes, de repente, um som conseguiu atentar a mente da jovem. O que poderia ser? Um cachorro não deveria de ser, todos ficavam presos nos quintais. Uma assombração talvez, seria possível? Para aumentar a hipótese de algo a seguindo, uma sobra permeia o chão. Sim, poderia alguém a seguindo. As pupilas já se dilatavam, as pernas pareciam adormecer, e os passos mais acelerado, tal qual a respiração ofegante, e o coração batendo tão veloz, que se podia escutar como se estivesse com o uso de estetoscópio. A porteira parecia nunca chegar, e quanto mais andava, mais o barulho aumentava, mais o nervosismo batia. O que seria a partir dali? E quando chegasse finalmente à entrada, e tivesse que parar. O que poderia vir sobre ela? O suor frio já escorria suas mãos e sua testa, o sangue estava sob alta temperatura. Faltava só um passo para chegar à porteira. Era Pular? Abrir o mais rápido possível? O que estava por vir? De repente, num ato súbito e corajoso, virou para trás. “Incrível!”, pensou ela. Algo havia tocado seu braço, e ela entendeu perfeitamente. O chaveiro, ganhado havia  poucos dias, da filha, presente de dias das mães, era o responsável por todo aquele barulho assustador. As sombras? Dela mesma, feita sob às luzes da entrada da chácara.
Escrito por: Jefferson L. dos Santos.
Depoimento: Janaína Fernanda Q. Faria

                                                  Rodovia PR 439, próximo à localidade referida no texto, a Chácara do Bosque...

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