SEXTA-FEIRA DAS JANELAS
Eram 9 horas da noite na cidade. A cidade não era grande, mas tinha certo movimento. Do alto da janela olhava-se a sexta-feira que acabava. Na esquina, jovens de uma república abriam de tempos em tempos o “cervejão”. O barulho era intenso. No prédio, mais à frente, via-se uma diversidade de coisas em cada andar. Uma criança brigava com a irmã pelo controle da televisão. Noutro, dois casais de amigos aproveitavam às pizzas e riam à toa. Em outro, um casal demonstrava amor. Na rua, os carros passavam, alguns buzinando, outros com som alto, outros apenas com o ronco do motor mesmo. Em frente, Dona Maria ralhava com o marido, enquanto ao lado, uma festinha infantil acontecia, com todos os ruídos possíveis, e com música infantil. Na calçada, gatos viravam o lixo do final da rua, enquanto cachorros latiam correndo para todos os lados. E a tudo isso o rapaz observava. Tudo movimentado e todos gastando energias. O pensamento impulsionado por estas circunstâncias somente foi quebrado com a porta se abrindo:
- Filho, o jantar está na mesa. Só falta você.
- Já desço mãe.
Seus padrinhos estavam de visita, e alguns tios também faziam presença. Primos também faziam barulho e bagunçavam a mesa da sala. O rapaz descia às escadas, mas sentia uma angústia. Sentou na escada e refletiu por alguns instantes. Lembrou-se dos fatos que ocorrera durante o dia:
-Você só pode estar brincando! – Dizia ele.
-Não, eu não estou. Eu realmente...
-Não, você não consegue falar, eu sei que isso é pura mentira! – Retrucava ele com a moça, loura e olhando em seus olhos verdes.
-Tchau. – Finalizou ela a conversa.
Depois do breve pensamento, volta à janela de seu quarto, e continua a observar os fatos. Tenta enxergar onde poderia estar aquela que lhe não saia da cabeça. Não acreditava que ela iria estar com outro, jantando com seus pais e os pais do futuro namorado. Não teve dúvida. Desceu as escadas, agora com vontade.
-Filho, até que enfim. Achamos que não viríamos. – Dizia a mãe.
-É querido... estávamos com...
-Fome!!! Eu sei... pode comer minha parte tia Cida! Engula tudo e não me encham mais! – Dizia o rapaz cortando o diálogo com a tia, e saindo logo em seguida.
-Mas filho! – tentava a mãe.
Sem dar ouvidos aos parentes que não mais agüentava, em um ato impensado, pega a moto do pai, sem ao menos saber dirigir ao certo, e sai. Chega em frente à casa dela. Não liga para as buzinadas que tomou no caminho. Tão pouco ao pobre cachorrinho que urgiu pela pata judiada pelo pneu da moto, ou ao farol que iluminou sem querer as partes que ficavam debaixo da saia da moça do casal que namorava embaixo da árvore. Só pensava nela. Ainda pensou em voltar atrás, mas não sucumbiu. Foi até à janela da sala de jantar. Com rosas na mão, cheirosas e colhidas na hora, pronuncia fortemente:
-Eu te amo! – E chora.
-Ele está bêbado. – Retruca o pai, já se levantando para tomar alguma providência.
-Não, ele não está – Pronuncia a mãe da moça, enquanto esta sorri e não diz mais nada.
(Um jovem apaixonado é pior que um jovem bêbado.)
PS.: Não, SEXTA-FEIRA DAS JANELAS não é propaganda da Bordignon, Platiferro, ou qualquer outra loja de materiais de construção, por incrível que pareça!
Dedicado à grande amiga Paula! Inspiradora do título! Que Deus te abençoe!
Escrito por: Jefferson L. Santos.


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