SENHORA SMILE
Existia uma senhora, D. Maria, mãe de família, de média estatura e de cabelos e olhos castanhos, que acordava cedo todos os dias. Dedicada, amava seus filhos e marido, e tinha bastante carinho pela sogra que vivia com eles. Levantava cedo todos os dias. Aquela sexta-feira era mais um dia daqueles. O esposo e os filhos iam trabalhar, e um deles estudar, logo pela manhã. Se despertou bem a tempo, e foi à padaria buscar o pão do café da manhã. Ao chegar lá, encontra o estabelecimento lotado. Não se irrita, e com grande paciência, espera a fila. Uma criança a olha com cara feia e mostra a língua. Ela, paciente, apenas sorri. Uma mulher irritada, chega à sua frente e pronuncia:
- Eu já estava aqui! Você entrou e eu fui pegar o leite na sessão de frios. Com licença. – Diz entrando estupidamente, se esfregando em D. Maria e na senhora que estava na frente.
- Tudo bem, o lugar é seu – diz D. Maria, enquanto solta outro belo sorriso, enquanto a senhora irritada apenas se calou, constrangida.
D. Maria possuía realmente um belo sorriso. A natureza lhe dera belos dentes, brancos e fortes. Não havia quem não se encantasse com o gesto de sorrir dela. A fila andava e finalmente chegou sua vez. Ficou na dúvida entre o pão francês e a rosca. Enquanto pensava, a atendente disse:
- Minha senhora! Eu tenho uma porção de clientes para atender! Dá para dizer o que quer logo?
- Sim, me vê uma rosca e 5 pão-francês. Meus filhos gostam dos dois. – Responde D. Maria, deixando a moça sem graça com seu modo de agir.
No caixa, D. Maria contava as moedas, deixando o Senhor Manuel, dono da padaria, impaciente:
- Eu não tenho o dia todo!
- Aqui está! Trocadinho, porque eu sei que a essa hora da manhã você precisa de muitas moedas.
Mais uma vez a doce senhora conseguiu deixar alguém sem graça. Muito sem jeito, apenas agradeceu com um “obrigado”, engolindo seco. Ao atravessar a rua, D. Maria passa, sem querer, na frente do carro. O motorista estaciona, já com intenção de entrar na padaria. Porém, não exita em ralhar com a senhora:
- Por que a senhora não olha por onde anda?
- Me desculpa. Ainda estou acordando. – Diz ela, é claro, soltando outro belo sorriso.
O homem apenas sorri, sem graça, e entra, sem dizer nada. D. Maria segue seu caminho. Ao chegar em casa, já vê a família toda se levantando. O marido, parecia mais nervoso hoje:
-Pelo amor de Deus! Amor, anda logo! Não está vendo que hoje é sexta-feira, o escritório está lotado de serviço?
-Sim. Já estou fazendo seu café, pode ficar tranqüilo. – E mais um sorriso, deixando o marido também sem graça diante da situação, e, sério, senta na mesa a esperar.
Enquanto isso, no quarto, grita-se:
- Mãe! Onde está meu uniforme? Que coisa! Já te falei para deixar ele pendurado no cabide do meu guarda-roupa! A senhora está caduca?
-Não filha. Eu coloquei pendurado atrás da porta aqui da cozinha. Olhe bem que você verá. Eu já ia te levar. – E mais um sorriso para a filha cheia de ira.
-Mãe, a minha bolsa de escola?!
-Mãe a minha jaqueta!
Com todo o amor e paciência de uma mãe, esta sorri para os outros filhos, enquanto satisfaz suas vontades, mais uma vez.
Todos de saída, D. Maria foi se arrumar para seu trabalho também. Era na loja de roupas de sua irmã. Chegando lá, deu de cara com a raiva da parente:
-Meus Deus! Achei que hoje você não viesse! Atrasou dez minutos! Por que?
-Não. Eu não me atrasei! São nove em ponto!
-Ai meu Deus! Desculpa Mah! Eu olhei no relógio lá do depósito, que está parado! – Respondeu a irmã, enquanto D. Maria já sorria.
Uma cliente chega para D. Maria atender. Sem paciência alguma, reclama:
-Essa blusa aqui! Barata? Me saiu cara! Ela encolheu tudo quando lavei! Nunca mais venho aqui nesta loja!
-Tudo bem. Vou trocar para você. Não é porque você não vai vir mais aqui que deve sair insatisfeita. Veja aqui, outra, igualzinha. Se acontecer de novo, volte pelo menos para trocar de novo. – Disse pegando a outra roupa, e, incrivelmente, sorrindo.
A cliente foi embora quieta, triste por ter destratado D. Maria. Sabia que esta não seria a ultima vez que estaria lá. A simpatia da funcionária havia a impressionado. O dia de trabalho havia acabado, e D. Maria já estava exausta. Entretanto, mantinha sua simpatia. Chegando perto da sua casa, encontrou-se com a sogra. Esta estava irritada com as crianças dos vizinhos:
-Essa criançada não me deixou assistir “Video Show” e nem “Vale a Pena Ver de Novo!.” Não agüento mais!
-Criança é assim, D. Marta! Eles já vão dormir daqui a pouco, eu os conheço. Depois eu baixo pelo Youtube o que passou hoje, tudo bem? – Disse, sorrindo.
-Tudo bem. – Respondeu, um pouco contrariada.
As duas entraram, e a janta estava na mesa. D. Marta havia preparado.
-Eu não vi “Araguaia” para preparar a janta.
-Obrigado sogrinha. – Disse sorrindo.
Todos na mesa, o marido de D. Maria estava sério. Havia sido um dia totalmente cansativo para ele. A esposa, incomodada com tanta rispidez, indaga:
-O que foi? Muito trabalho?
-Sim. Demais até!
-Por isso que amo você! Trabalha para nos ver felizes! E para pagar as contas, não faltar nada aqui... – dizia enquanto o marido finalmente sorriu, acompanhando o seu sorriso enquanto falava – Para pagar os arranhados do carro, consertar os...
-O que? Foi você que?!
-Amor eu te amo! – Interrompendo a pergunta e o beijando.
(Sorria! É o melhor remédio!)
(Você vai precisar obviamente de um bom tratamento ortodôntico para ficar igual D. Maria, ela já foi até chamada para fazer comercial na Colgate, mas vale a pena. Só não espere muito pelo Serviço Único de Saúde! Haha, brincadeiras a parte, sorria! É isso que importa!)
Dedicado às mães, em especial à minha, que todo dia não cansa de cuidar da família! E à amiga Kélita, a garota do IBGE mais simpática que eu já vi!
Escrito por: Jefferson L. S
Esta imagem está disponível em: comentariocriticoliterario.blogspot.com



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